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O que está por trás de nova epidemia de dengue no Brasil

 ser mais elevados durante verão, por causa da alta temperatura e da quantidade de chuvas, mas o período de ascensão da doença começa em outubro e vai até maio. A tendência é uma redução mais acentuada no número de casos a partir de junho”, estipula Falcão.

“Mesmo assim, os cuidados de prevenção contra dengue devem acontecer durante todo o ano”, ressalta a infectologista.

Detectadas as causas do problema, o que pode ser feito para lidar com essa epidemia oculta de dengue?

A resposta das autoridades

Como não existe uma vacina aprovada contra a dengue, as ações preventivas mais efetivas envolvem eliminar os criadouros do mosquito transmissor — e o ideal é que esse trabalho se inicie em janeiro ou fevereiro, quando os ovos começam a eclodir.

“Com a pandemia, sobraram menos recursos para combater o Aedes”, diz Granato.

Agora em abril, existem menos ações que podem ser feitas. “Resta apostar no fumacê, que ajuda a inibir o mosquito adulto”, completa o infectologista.

Outra atitude importante é ampliar e reforçar os serviços públicos de saúde, para conseguir acolher os pacientes com complicações da dengue.

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde contabiliza neste ano 233 episódios de dengue grave e outros 2,8 mil com sinais de alarme. Até o momento, foram registradas 79 mortes pela doença.

Granato também se mostra preocupado com a recorrência da dengue em regiões que já tiveram surtos e epidemias num passado recente.

“Existem quatro sorotipos do vírus, o que significa que uma mesma pessoa pode pegar dengue quatro vezes. O problema é que ter um segundo ou um terceiro quadro da doença aumenta o risco de sofrer com as formas mais graves”, explica.

“E temos algumas regiões, especialmente no noroeste de São Paulo, que passam por surtos de dengue desde os anos 1980. Isso representa maior risco de morte nesses locais”, continua.

A BBC News Brasil entrou em contato com as Secretarias Estaduais de Saúde de Goiás, Distrito Federal, Tocantins e São Paulo, locais com as cidades mais atingidas até o momento.

A secretaria do Distrito Federal afirmou que promove sempre ações de combate ao Aedes em todas as regiões administrativas.

“Semanalmente é realizada uma análise da incidência de casos por região e também das cidades em que há maior presença do mosquito. Após essa análise, as regiões que apresentam maior aumento passam a receber uma intensificação das ações, inclusive com o uso do UBV Pesado [fumacê], que é apenas uma das estratégias utilizadas no combate ao mosquito.”

Já os representantes de Goiás admitem que “o avanço dos casos colocam o Estado em situação de alerta para a possibilidade de uma epidemia por dengue”.

“A Secretaria Estadual de Saúde vincula o aumento expressivo da infestação do Aedes aegypti e da quantidade de casos das doenças causadas pelo vetor à intensidade das chuvas e à baixa adesão da população em limpar os seus domicílios.”

A secretaria de São Paulo destacou que o número de casos no Estado está mais baixo (ou ligeiramente parecido) em 2022 na comparação com 2021, apesar da situação ruim de algumas cidades neste ano.

“Conforme as diretrizes do Sistema Único de Saúde, o trabalho de campo para combate ao mosquito transmissor da dengue compete primordialmente aos municípios.”

A Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins e o Ministério da Saúde foram procurados, mas não enviaram respostas até o fechamento desta reportagem.

Falcão entende que as políticas públicas precisam se reinventar e apostar em novas tecnologias no combate ao mosquito. “Já vimos que o que tem sido feito ao longo dos últimos anos não surtiu efeito.”

“Outro ponto-chave é o investimento em infraestrutura, no saneamento básico, levando a uma parcela cada vez maior da população acesso ao abastecimento de água, sistema de esgotos, coleta de lixo e drenagem de águas pluviais”, lista a médica.

O que você pode fazer

Além das políticas públicas, os especialistas chamam a atenção para as responsabilidades individuais no combate à dengue.

Aqui entram aquelas recomendações clássicas de evitar qualquer reservatório de água parada sem proteção em casa. O mosquito pode usar como criadouros grandes espaços, como caixas d’água e piscinas abertas, até pequenos objetos, como tampas de garrafa e vasos de planta.

Vale fazer uma faxina no quintal e na varanda, com especial atenção para depósitos, calhas e objetos que ficam ao relento e podem acumular água da chuva.

Instalar telas em portas e janelas ou usar repelentes na pele são atitudes que também podem ajudar.

Por fim, é importante ficar atento aos sintomas da dengue, como febre, cansaço, vermelhidão em partes do corpo, coceira e dores na cabeça, nos músculos, nas articulações ou atrás dos olhos.

Após o diagnóstico da doença, a recomendação é fazer repouso, caprichar na hidratação e, se necessário, usar remédios que aliviam alguns desses incômodos.

“Todos precisam conhecer os sinais de que a doença pode estar evoluindo para as formas mais graves. Os principais são vômitos difíceis de controlar, febre que não diminui, dor na barriga e sangramentos”, lista Granato.

“Nessa situação, é essencial procurar um pronto-socorro o mais rápido possível”, conclui o médico.

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