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Flamengo tem evolução tímida, mas entende “final” e ganha sobrevida no Brasileiro

No que era considerada amplamente uma final antecipada do Campeonato Brasileiro, o Flamengo cumpriu seu papel, venceu o Atlético-MG e seguiu vivo na briga pelo título.

O duelo no Maracanã teve muitos ingredientes de jogo decisivo, com faltas em profusão, discussões e tensão o tempo inteiro. Neste ambiente, o time de Renato Gaúcho soube entender a situação e se comportar à altura. Taticamente, porém, a evolução foi tímida.

Uma das principais críticas às últimas partidas do Flamengo, a parte coletiva do time seguiu sofrendo na vitória por 1 a 0. Renato ainda fez uma pequena alteração no ataque: adotou um 4-4-2, aproximando Bruno Henrique e Gabigol, com Michael e Everton Ribeiro nas pontas. Isso manteve Michael, em ótima fase, em sua posição original, e o atacante retribuiu com nova atuação individual de qualidade.

Entretanto, à parte o gol de Michael, poucas foram as jogadas ofensivas construídas pela equipe. Nesta conta, é preciso levar em consideração não só a dificuldade rubro-negra para criar, mas também o jogo truncado e a forte marcação do Atlético. Andreas, novamente mais recuado, deu um pouco mais de controle no meio-campo, mas o Flamengo ainda se ressente demais da baixa de forma de jogadores como Gabigol e Everton Ribeiro.

Depois do gol de Michael, o Flamengo mudou a forma de jogar. Recuou bastante, uma característica já percebida em outras partidas – inclusive numa fase de resultados melhores -, mas não conseguiu achar contra-ataques para incomodar o Galo e terminou o primeiro tempo acuado, embora sem ser muito ameaçado pelo Atlético.

O segundo tempo mudou de figura e ficou mais aberto. O Flamengo começou a ter mais espaço para contra-atacar, embora só tenha conseguido uma chance real já nos acréscimos, com Rodinei acertando a trave.

Por outro lado, a parte defensiva funcionou melhor. Se a recomposição ainda apresentou problemas, com o Atlético conseguindo aproveitar a transição para avançar com liberdade em muitos momentos da etapa final, a verdade é que o time mineiro teve poucas chances claras e ameaçou mais em bolas paradas e cruzamentos.

Contribuiu para isso a grande atuação da linha defensiva rubro-negra. Gustavo Henrique e Léo Pereira foram impecáveis no combate direto a Hulk e Diego Costa. Gustavo esteve soberano pelo alto, e Léo levantou a torcida com pelo menos três desarmes importantes no segundo tempo.

O Flamengo sai do Maracanã com uma vitória importante em uma decisão, e o espírito competitivo da equipe foi um sinal de que este elenco sabe como se comportar em partidas decisivas.

Há algumas observações que Renato pode levar adiante para os próximos compromissos: Ramon deu conta do recado como titular na lateral esquerda e se credencia cada vez mais como substituto imediato de Filipe Luis; Andreas rende muito mais como volante, enxergando o jogo de frente; Michael, neste momento, é a arma ofensiva mais perigosa, e o 4-4-2 é uma forma de potencializar isso.

Porém, ainda é preciso evoluir mais coletivamente. O Flamengo ainda se ressente de maior criatividade e sofre com defesas mais organizadas. A recomposição também precisa melhorar para não expor tanto a última linha. Individualmente, é preciso que jogadores importantes, como Gabigol, Everton e Bruno Henrique, retomem o melhor nível.

No fim das contas, a vitória serviu ao propósito imediato: manteve o Flamengo vivo no Brasileirão e diminuiu a tensão num ambiente ainda repleto de questões internas. Vem aí uma semana decisiva, com dois jogos, e o time precisa dar mais sinais de evolução.

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