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Estudante se diz alvo de racismo em farmácia na capital

A estudante de moda Ana Carolina, de 24 anos, registrou um boletim de ocorrência no 7º Distrito Policial por um suposto comportamento racista da gerente da Farmácia Pague Menos, localizada no bairro São Joaquim, zona Norte de Teresina. 

Segundo relato da estudante, a gerente da farmácia a abordou enquanto andava pelos corredores do estabelecimento e fez acusações sobre furtos de objetos dentro do estabelecimento. 

O episódio aconteceu no dia 7 de fevereiro, por volta das 18h30. Ana Carolina relembrou que parou na farmácia naquele dia para comprar objetos pessoais. Fez a escolha de dois produtos e, antes de ir ao caixa, lembrou que estava precisando comprar outro objeto. 

“Fiquei andando normalmente pelos corredores à procura do que eu precisava. Até que mexi na bolsa para pegar meu celular. Neste momento, ela me abordou, ficou diante de mim e perguntou em tom de deboche e acusação: ‘está precisando de alguma coisa? Quer uma cestinha’?”, relembrou a estudante. 

Ana Carolina relatou que agradeceu a oferta da cesta, mas que não precisava, visto que estava com apenas dois produtos na mão que podia carregar até o caixa. “Então ela deu um suspiro e falou: ‘acha que eu não vi, mas eu vi’. Ela me deu as costas e disse: ‘Meu Deus, na nossa frente'”, afirmou Ana Carolina. 

Até aquele momento, a estudante relembrou que não havia entendido o que estava acontecendo e que a ficha foi caindo aos poucos. “Ela estava me acusando de pegar algo”, completou Carolina. 

A estudante de moda afirmou que a gerente começou a gritar para outro funcionário pedindo para que ele levasse até ela uma cesta, mesmo ela tendo recusado antes. Constrangida, a estudante relembra que para sair daquela situação precisou esvaziar a bolsa dentro da cesta que o funcionário levou até ela. 

“Eu disse a ele que ela estava me acusando, e ele disse que não, que eu estava equivocada. Mas, eu provei para eles que não estava com nada. Fui depositando item por item na cesta. Estava muito nervosa e queria sair dali. Fiquei recuada porque sabia que não tinha ninguém ali para me defender. Saiba que estava sendo caluniada”, destacou Ana Carolina. 

Questionada pela reportagem se classificaria o episódio como racismo, a estudante disse não ter dúvidas. 

“Se fosse uma pessoa de pele mais clara ou branca mexendo na bolsa, ela não ia dizer que aquela pessoa estava roubando ou botando as coisas dentro da bolsa. Eu tenho é certeza disso”, ressaltou a estudante.

Ao sair do local, a estudante de moda foi até a delegacia do 7º Distrito Policial e registrou um Boletim de Ocorrências. No DP, a estudante relembra que o agente registrou o boletim como calúnia, mas ela sabe que o episódio foi também de racismo. 

“Queria ter registrado com mais coisas e não só calúnia. Porque ela me difamou também. Quando eu saí da farmácia, ela ficou falando de mim. Uma testemunha me disse. A mesma que vou apresentar durante os depoimentos”, frisou Ana Carolina. 

O delegado titular do 9º DP, Menandro Pedro, confirmou a informação e afirmou que a vítima e a gerente da farmácia, identificada pelos policiais apenas como Janaína, de 35 anos, já foram intimadas a prestarem depoimento, que deve acontecer na próxima terça-feira (15/01). 

Após o ocorrido, a estudante chegou a ir à Delegacia dos Direitos Humanos para dar prosseguimento ao caso, mas foi informada de que as investigações deverão continuar pelo 7º DP. 

O que diz a Pague Menos

Nossa reportagem entrou em contato com a farmácia onde o episódio aconteceu, mas foi informada de que não iria se pronunciar sobre o ocorrido. Representantes da farmácia orientaram a procurar o setor jurídico da Pague Menos em Fortaleza, mas até o fechamento desta matéria nenhum representante do setor se pronunciou sobre o assunto. O espaço fica aberto para que a empresa possa prestar esclarecimentos sobre os fatos. 

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