Motoristas de ônibus aceitam retorno parcial em Teresina mas recusam acordo de fim de greve

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário do Piauí (Sintetro) decidiu recusar a proposta apresentada durante uma audiência na segunda-feira (29), com empresários e o Ministério Público do Trabalho (MPT), para o fim da greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Teresina. Entretanto, o sindicato aceitou a proposta alternativa de retorno parcial.

O procurador regional do trabalho do MPT-PI, João Batista Machado Júnior, informou que com a aceitação da proposta alternativa pelo Sintetro, a frota de ônibus na capital será de 70% nos horários de pico.

“Ele não concordou com o fim da greve, mas aceitou a proposta alternativa de retorno parcial às atividades. Com isso, nós teremos o funcionamento de pelo menos 70% da frota nos horários de pico e 30% nos demais horários. Esses horários de picos serão distribuídos pela Strans em ordem de serviço, normalmente, três horas pela manhã e três horas no final do dia, quando as pessoas retornam ao serviço. Aos domingos, nós teremos o funcionamento de apenas 30% da frota”, explicou.

Segundo o presidente do Sintetro, Ajuri Dias, o acordo seria a perda do plano de saúde e do ticket de alimentação, direitos que a categoria não está disposta a perder.

“Nós sabemos o momento que vivemos hoje de dificuldade em relação a questão dos atendimentos. Estamos com os planos suspensos em alguns procedimentos, mas nós abrimos mão do plano de saúde e do ticket de alimentação. Nós compreendemos que é um momento difícil, que as categorias elas possam estar tendo um entendimento para sair desse momento ruim de crise, mas não temos condição de abrir mão dos nossos benefícios”, afirmou.

Motoristas e cobradores de ônibus estão em greve — Foto: Lorena Linhares/G1 PI
Motoristas e cobradores de ônibus estão em greve — Foto: Lorena Linhares/G1 PI

A reunião aconteceu através de videoconferência para respeitar as medidas de distanciamento social em virtude da pandemia da Covid-19, e teve aproximadamente 2 horas de duração.

O procurador Regional do Trabalho no Piauí, João Batista Machado Júnior, alertou, após a reunião, que caso não haja negociação, um dissídio coletivo de greve (ações ajuizadas no Tribunal para solucionar conflitos) poderá acontecer.

Motoristas e cobradores de ônibus deflagraram greve no mês de maio deste ano. Desde então, apenas veículos alternativos têm feito transporte coletivo de passageiros pela capital.

Decretos determinam distanciamento social

Para evitar a contaminação pelo vírus, o isolamento social e medidas emergenciais foram determinadas por meio de decretos do governo do estado e das prefeituras, como na capital piauiense, para que a população fique em casa e evite ao máximo ir às ruas. Aulas em escolas e universidades, a maioria das atividades comerciais, esportivas e de serviços em geral estão suspensas por tempo indeterminado.

Serviços essenciais como farmácias, postos de combustíveis e supermercados continuam mantidos mas estão regulamentados. O atendimento em clínicas, hospitais e laboratórios, assim como o funcionamento de escritórios de advocacia e contábeis também foram liberados mediante cumprimento de regras.

O uso de máscaras em locais públicos tornou-se obrigatório em todo o estado. Policiais fazem abordagens nas fronteiras do estado a ônibus e veículos particulares. Os decretos preveem que quem descumprir as regras pode ser penalizado com multa ou até prisão.

Prevenção, contágio e sintomas

Lavar as mãos de forma correta, uso de álcool em gel, sempre usar máscaras, evitar contato pessoal e aglomerações de pessoas são algumas das orientações para evitar o contágio da doença.

É importante também ficar atento quanto aos principais sintomas (tosse seca, congestão nasal, dores no corpo, diarreia, inflamação na garganta e, nos casos mais graves, febre acima de 37° C e dificuldade para respirar). 

Fonte: G1.globo/Piauí