Justiça aceita denúncia do MP contra Marcelo Crivella, que passa a ser réu no caso ‘QG da propina’

A denúncia do Ministério Público do Rio contra Marcelo Crivella foi aceita pela juíza Juliana Benevides, da 1ª Vara Criminal Especializada de Combate ao Crime Organizado, conforme decisão publicada nesta terça-feira, dia 2. O ex-prefeito agora passa a ser réu no caso conhecido como QG da Propina, conforme noticiado pelo portal G1.

Crivella, que deixou a prefeitura no fim de 2020, quando foi preso, é acusado de comandar um esquema de liberação de pagamentos a credores do executivo municipal e direcionar licitações em troca de propina. Ele deixou a cadeia no dia seguinte, depois de conseguir uma decisão no STJ que o colocou em prisão domiciliar.

A juíza explicou que uma delação detalha o esquema, incluindo empresários, pessoas físicas e jurídicas que funcionavam como “laranjas”. No documento, destacou que operadores não tinham nenhum vínculo com a estrutura da prefeitura, mas interferiam nas decisões, agilizando pagamentos a empresas específicas e interferindo nos processos de licitação, de forma a beneficiar aqueles empresários que concordavam em pagar propina ao grupo criminoso supostamente liderado pelo ex-prefeito, cuja defesa disse, de acordo com o portal de notícias “G1”, que vai se manifestar depois que tomar ciência de decisão.

Entre os 25 envolvidos na ação que também são réus agora estão o empresário Rafael Alves, apontado como o principal operador financeiro da quadrilha; o ex-senador Eduardo Lopes e o empresário de Arthur Soares, o Rei Arthur, que respondem por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Há ainda Marcelo Alves, ex-presidente da Riotur; Mauro Macedo, primo e ex-tesoureiro das campanhas de Crivella; e o marqueteiro Marcelo Faulhaber.

A defesa de Marcelo Crivella disse que vai se manifestar depois que tomar ciência de decisão. A defesa de Rafael Alves afirmou que o cliente “é vítima de excessos do Ministério Público, que escreve o que quer, mas não tem argumento de autoridade. Não há comprovação destas acusações, que serão cabalmente afastadas no curso do processo”.

A defesa de Marcelo Faulhaber disse que: “A acusação a Marcello Faulhaber é de tão simplesmente ter apresentado durante o segundo turno da campanha de Crivella, um empresário a pessoa responsável pelas doações da campanha — a pedido desta última e sem ter recebido qualquer vantagem pessoal ou recurso financeiro por este ato. Marcello, como a própria denúncia do MP descreve, não participou de nenhuma atividade ilícita e não recebeu qualquer benefício ou vantagem pessoal derivada do QG da Propina que supostamente funcionou durante a administração Crivella. Tendo em vista que o único ato descrito foi durante o processo eleitoral e que o valor relatado foi doado a campanha, o Ministério Público e a Justiça Estadual não podem apreciar a matéria. A defesa irá recorrer”.

Fonte: Extra.globo